Friday, 28 March 2014

Sabe aquela do português???

Os alemães dizem que falamos "brasilianisch" e os portugueses, "portugiesisch"..... confesso que a cada dia concordo mais com eles de que são duas línguas diferentes....

Trabalho também muito com crianças e tenho uma colega portuguesa com a qual atuo frequentemente, seja em aniversários, num museu infantil, fazendo artesanato por Berlim....

Eis algumas "pérolas" que colecionei com ela nestes anos, de forma geral, os comentários quase sempre soam engraçados:

"Pois, os putos são muito fixe" (as crianças são muito legais)

"Podes olhar o meu saco enquanto vou a casa de banho?" (saco=mochila)

"A lâmpada está fundida" (queimada)

"Magoei as minhas costas" (tadinha... :P magoei= machuquei)

"Já são seis menos dez" (dez pras seis....)

"Temos um aguçador??" (= apontador)

"Gambaram a nossa cabeça!!!" (gambar=furtar, no dia em que fizemos bustos de sabonete e levaram o busto modelo...)

"Pois, onde está sua bicla?" (sua bike)

"Pegastes o bidão com água?" (galão)

- No dia mundial da criança, em junho, Alexanderplatz lotada, minha colega começa a pestanejar de sono. Pergunto: "Não quer ir buscar um café?". Ela: "tás maluca!??? Há bichas para todos os lados!!!" (bicha=filas....já sabia mas foi inevitável dar muita risada....)

A história mais engraçada, porém, não foi com esta colega, mas com o pai de duas crianças para as quais eu dava aula de português. Um dia de muita neve e frio, ele me ofereceu carona. Entrei no carro e ele me avisou, com toda naturalidade: "Não te assustes pois agora vai esquentar seu c.. e suas costas".......

Cai na gargalhada e perguntei: "Você sabe que no Brasil c.... é quase um "palavrão", não sabe?"  Ele: "Pois, para nós é apenas o bumbum". Eu: "ok, já que estamos no tema, como vocês chamam o buraco???". "Ora pois, é o olho do c...."...

Pois é, não sabia que tinhamos um "olho traseiro"... .  :)

Em tempo: hoje um aluno espanhol comentou que há a mesma diferença entre espanhol europeu e americano, ou seja, por esta lógica, nós, americanos, que "abolimos" o olho traseiro... ;)

Wednesday, 26 March 2014

"Hoje eu quero voltar sozinho": show a parte na 64° Berlinale e estréia dia 10.04 no Brasil!!!

O único filme dos que vi nesta Berlinale que provocou reações "emocionantes" tão intensas ao terminar: grande parte do público aplaudiu, por vários minutos, em pé. Eu também, e com lágrimas nos olhos de orgulho e esperança nesta competente nova geração de atores e produtores.

No longa filmado em São Paulo de 95 minutos de Daniel Ribeiro, Giovana (Tess Amorim) e Leonardo (Ghilherme Lobo) são amigos desde a infância.Leo nasceu cego e é frequentemente guiado pela melhor amiga, que chama de Gi. Os dois sentam perto na escola e passam as tardes juntos, muitas vezes na piscina da casa da Gi. Discutem temas típicos de adolescentes, especialmente a descoberta da própria sexualidade e aparência física.

Leo parece ainda sentir cada vez mais vontade de ser independente. Começa a cogitar fazer intercâmbio fora do país, mostra o desejo de conseguir voltar da escola pra casa sozinho. Na sala de aula, Leo utiliza uma máquina para escrever em braile e às vezes é vítima de "gracinhas" dos colegas, sempre então defendido por Gi. O lugar atrás de Leo está vazio. Os colegas alegam que é muito barulhento sentar atrás dele.

Um dia, no entanto, a cadeira é ocupada por um novo aluno, Gabriel (Fabio Audi). Ele não só parece não se importar com o barulho como ainda, quer fazer os trabalhos e passar tempo com Leo. Eles vão se aproximando e se descobrindo. Gabriel dá alguns "foras" por esquecer que o amigo é cego. O mesmo reage com humor e eles tentam entender a perspectiva do mundo na "visão" do outro.

Gi, que achou Gabriel desde o princípio atraente, sente ciúmes da amizade dos dois e de não ser mais a principal guia do amigo. Leo percebe que está se apaixonando por Gabriel e várias situações se seguem com mistura de sentimentos, dúvidas e emoções.

A produção tem um roteiro leve, "tragicômico" em alguns momentos. "Sai do filme com um sorriso no rosto, adorei", conta um alemão que esteve na estréia mundial na segunda-feira, 10 de fevereiro, no Cinemaxx (Potsdamer Platz). Ele afima ainda ter achado que o ator Ghilerme Lobo era cego de verdade. "A atuação foi excelente, Leo parece ser realmente deficiente físico".

Em várias cenas, a impressão é que os olhos de Leo não são simétricos. Ghilherme Lobo diz que foi intencional tentar "olhar de outra forma" para parecer mais realista. "Todos tivemos de aprender a lidar com os cegos, a guiar e ser guiado como eles", contou Lobo para a platéia após o filme.

O longa mostra ainda o "amor à primeira vista" de outra forma, os conflitos e dificuldades já normais desta fase experenciados com outros sentidos. Outra peculiaridade do filme é ter sido uma "continuação" do curta feito por Daniel Ribeiro em 2010,  "Hoje eu nao quero voltar sozinho",  que pode ser visto no link a seguir:

https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI

"Hoje eu quero voltar sozinho" já recebeu vários prêmios, inclusive na Berlinale, e as indicações continuam. A partir de 10 de abril, estará nas telas das principais capitais brasileiras.