Wednesday, 26 March 2014

"Hoje eu quero voltar sozinho": show a parte na 64° Berlinale e estréia dia 10.04 no Brasil!!!

O único filme dos que vi nesta Berlinale que provocou reações "emocionantes" tão intensas ao terminar: grande parte do público aplaudiu, por vários minutos, em pé. Eu também, e com lágrimas nos olhos de orgulho e esperança nesta competente nova geração de atores e produtores.

No longa filmado em São Paulo de 95 minutos de Daniel Ribeiro, Giovana (Tess Amorim) e Leonardo (Ghilherme Lobo) são amigos desde a infância.Leo nasceu cego e é frequentemente guiado pela melhor amiga, que chama de Gi. Os dois sentam perto na escola e passam as tardes juntos, muitas vezes na piscina da casa da Gi. Discutem temas típicos de adolescentes, especialmente a descoberta da própria sexualidade e aparência física.

Leo parece ainda sentir cada vez mais vontade de ser independente. Começa a cogitar fazer intercâmbio fora do país, mostra o desejo de conseguir voltar da escola pra casa sozinho. Na sala de aula, Leo utiliza uma máquina para escrever em braile e às vezes é vítima de "gracinhas" dos colegas, sempre então defendido por Gi. O lugar atrás de Leo está vazio. Os colegas alegam que é muito barulhento sentar atrás dele.

Um dia, no entanto, a cadeira é ocupada por um novo aluno, Gabriel (Fabio Audi). Ele não só parece não se importar com o barulho como ainda, quer fazer os trabalhos e passar tempo com Leo. Eles vão se aproximando e se descobrindo. Gabriel dá alguns "foras" por esquecer que o amigo é cego. O mesmo reage com humor e eles tentam entender a perspectiva do mundo na "visão" do outro.

Gi, que achou Gabriel desde o princípio atraente, sente ciúmes da amizade dos dois e de não ser mais a principal guia do amigo. Leo percebe que está se apaixonando por Gabriel e várias situações se seguem com mistura de sentimentos, dúvidas e emoções.

A produção tem um roteiro leve, "tragicômico" em alguns momentos. "Sai do filme com um sorriso no rosto, adorei", conta um alemão que esteve na estréia mundial na segunda-feira, 10 de fevereiro, no Cinemaxx (Potsdamer Platz). Ele afima ainda ter achado que o ator Ghilerme Lobo era cego de verdade. "A atuação foi excelente, Leo parece ser realmente deficiente físico".

Em várias cenas, a impressão é que os olhos de Leo não são simétricos. Ghilherme Lobo diz que foi intencional tentar "olhar de outra forma" para parecer mais realista. "Todos tivemos de aprender a lidar com os cegos, a guiar e ser guiado como eles", contou Lobo para a platéia após o filme.

O longa mostra ainda o "amor à primeira vista" de outra forma, os conflitos e dificuldades já normais desta fase experenciados com outros sentidos. Outra peculiaridade do filme é ter sido uma "continuação" do curta feito por Daniel Ribeiro em 2010,  "Hoje eu nao quero voltar sozinho",  que pode ser visto no link a seguir:

https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI

"Hoje eu quero voltar sozinho" já recebeu vários prêmios, inclusive na Berlinale, e as indicações continuam. A partir de 10 de abril, estará nas telas das principais capitais brasileiras.




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