http://www.labyrinth-kindermuseum.de/de/content/unbezahlbare-momente
Bald auch auf Portugiesisch hier!! :) Em breve, texto em português aqui! :)
linkeuropa
Wednesday, 9 April 2014
Friday, 28 March 2014
Sabe aquela do português???
Os alemães dizem que falamos "brasilianisch" e os portugueses, "portugiesisch"..... confesso que a cada dia concordo mais com eles de que são duas línguas diferentes....
Trabalho também muito com crianças e tenho uma colega portuguesa com a qual atuo frequentemente, seja em aniversários, num museu infantil, fazendo artesanato por Berlim....
Eis algumas "pérolas" que colecionei com ela nestes anos, de forma geral, os comentários quase sempre soam engraçados:
"Pois, os putos são muito fixe" (as crianças são muito legais)
"Podes olhar o meu saco enquanto vou a casa de banho?" (saco=mochila)
"A lâmpada está fundida" (queimada)
"Magoei as minhas costas" (tadinha... :P magoei= machuquei)
"Já são seis menos dez" (dez pras seis....)
"Temos um aguçador??" (= apontador)
"Gambaram a nossa cabeça!!!" (gambar=furtar, no dia em que fizemos bustos de sabonete e levaram o busto modelo...)
"Pois, onde está sua bicla?" (sua bike)
"Pegastes o bidão com água?" (galão)
- No dia mundial da criança, em junho, Alexanderplatz lotada, minha colega começa a pestanejar de sono. Pergunto: "Não quer ir buscar um café?". Ela: "tás maluca!??? Há bichas para todos os lados!!!" (bicha=filas....já sabia mas foi inevitável dar muita risada....)
A história mais engraçada, porém, não foi com esta colega, mas com o pai de duas crianças para as quais eu dava aula de português. Um dia de muita neve e frio, ele me ofereceu carona. Entrei no carro e ele me avisou, com toda naturalidade: "Não te assustes pois agora vai esquentar seu c.. e suas costas".......
Cai na gargalhada e perguntei: "Você sabe que no Brasil c.... é quase um "palavrão", não sabe?" Ele: "Pois, para nós é apenas o bumbum". Eu: "ok, já que estamos no tema, como vocês chamam o buraco???". "Ora pois, é o olho do c...."...
Pois é, não sabia que tinhamos um "olho traseiro"... . :)
Em tempo: hoje um aluno espanhol comentou que há a mesma diferença entre espanhol europeu e americano, ou seja, por esta lógica, nós, americanos, que "abolimos" o olho traseiro... ;)
Trabalho também muito com crianças e tenho uma colega portuguesa com a qual atuo frequentemente, seja em aniversários, num museu infantil, fazendo artesanato por Berlim....
Eis algumas "pérolas" que colecionei com ela nestes anos, de forma geral, os comentários quase sempre soam engraçados:
"Pois, os putos são muito fixe" (as crianças são muito legais)
"Podes olhar o meu saco enquanto vou a casa de banho?" (saco=mochila)
"A lâmpada está fundida" (queimada)
"Magoei as minhas costas" (tadinha... :P magoei= machuquei)
"Já são seis menos dez" (dez pras seis....)
"Temos um aguçador??" (= apontador)
"Gambaram a nossa cabeça!!!" (gambar=furtar, no dia em que fizemos bustos de sabonete e levaram o busto modelo...)
"Pois, onde está sua bicla?" (sua bike)
"Pegastes o bidão com água?" (galão)
- No dia mundial da criança, em junho, Alexanderplatz lotada, minha colega começa a pestanejar de sono. Pergunto: "Não quer ir buscar um café?". Ela: "tás maluca!??? Há bichas para todos os lados!!!" (bicha=filas....já sabia mas foi inevitável dar muita risada....)
A história mais engraçada, porém, não foi com esta colega, mas com o pai de duas crianças para as quais eu dava aula de português. Um dia de muita neve e frio, ele me ofereceu carona. Entrei no carro e ele me avisou, com toda naturalidade: "Não te assustes pois agora vai esquentar seu c.. e suas costas".......
Cai na gargalhada e perguntei: "Você sabe que no Brasil c.... é quase um "palavrão", não sabe?" Ele: "Pois, para nós é apenas o bumbum". Eu: "ok, já que estamos no tema, como vocês chamam o buraco???". "Ora pois, é o olho do c...."...
Pois é, não sabia que tinhamos um "olho traseiro"... . :)
Em tempo: hoje um aluno espanhol comentou que há a mesma diferença entre espanhol europeu e americano, ou seja, por esta lógica, nós, americanos, que "abolimos" o olho traseiro... ;)
Wednesday, 26 March 2014
"Hoje eu quero voltar sozinho": show a parte na 64° Berlinale e estréia dia 10.04 no Brasil!!!
O único filme dos que vi nesta Berlinale que provocou reações "emocionantes" tão intensas ao terminar: grande parte do público aplaudiu, por vários minutos, em pé. Eu também, e com lágrimas nos olhos de orgulho e esperança nesta competente nova geração de atores e produtores.
No longa filmado em São Paulo de 95 minutos de Daniel Ribeiro, Giovana (Tess Amorim) e Leonardo (Ghilherme Lobo) são amigos desde a infância.Leo nasceu cego e é frequentemente guiado pela melhor amiga, que chama de Gi. Os dois sentam perto na escola e passam as tardes juntos, muitas vezes na piscina da casa da Gi. Discutem temas típicos de adolescentes, especialmente a descoberta da própria sexualidade e aparência física.
Leo parece ainda sentir cada vez mais vontade de ser independente. Começa a cogitar fazer intercâmbio fora do país, mostra o desejo de conseguir voltar da escola pra casa sozinho. Na sala de aula, Leo utiliza uma máquina para escrever em braile e às vezes é vítima de "gracinhas" dos colegas, sempre então defendido por Gi. O lugar atrás de Leo está vazio. Os colegas alegam que é muito barulhento sentar atrás dele.
Um dia, no entanto, a cadeira é ocupada por um novo aluno, Gabriel (Fabio Audi). Ele não só parece não se importar com o barulho como ainda, quer fazer os trabalhos e passar tempo com Leo. Eles vão se aproximando e se descobrindo. Gabriel dá alguns "foras" por esquecer que o amigo é cego. O mesmo reage com humor e eles tentam entender a perspectiva do mundo na "visão" do outro.
Gi, que achou Gabriel desde o princípio atraente, sente ciúmes da amizade dos dois e de não ser mais a principal guia do amigo. Leo percebe que está se apaixonando por Gabriel e várias situações se seguem com mistura de sentimentos, dúvidas e emoções.
A produção tem um roteiro leve, "tragicômico" em alguns momentos. "Sai do filme com um sorriso no rosto, adorei", conta um alemão que esteve na estréia mundial na segunda-feira, 10 de fevereiro, no Cinemaxx (Potsdamer Platz). Ele afima ainda ter achado que o ator Ghilerme Lobo era cego de verdade. "A atuação foi excelente, Leo parece ser realmente deficiente físico".
Em várias cenas, a impressão é que os olhos de Leo não são simétricos. Ghilherme Lobo diz que foi intencional tentar "olhar de outra forma" para parecer mais realista. "Todos tivemos de aprender a lidar com os cegos, a guiar e ser guiado como eles", contou Lobo para a platéia após o filme.
O longa mostra ainda o "amor à primeira vista" de outra forma, os conflitos e dificuldades já normais desta fase experenciados com outros sentidos. Outra peculiaridade do filme é ter sido uma "continuação" do curta feito por Daniel Ribeiro em 2010, "Hoje eu nao quero voltar sozinho", que pode ser visto no link a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI
"Hoje eu quero voltar sozinho" já recebeu vários prêmios, inclusive na Berlinale, e as indicações continuam. A partir de 10 de abril, estará nas telas das principais capitais brasileiras.
No longa filmado em São Paulo de 95 minutos de Daniel Ribeiro, Giovana (Tess Amorim) e Leonardo (Ghilherme Lobo) são amigos desde a infância.Leo nasceu cego e é frequentemente guiado pela melhor amiga, que chama de Gi. Os dois sentam perto na escola e passam as tardes juntos, muitas vezes na piscina da casa da Gi. Discutem temas típicos de adolescentes, especialmente a descoberta da própria sexualidade e aparência física.
Leo parece ainda sentir cada vez mais vontade de ser independente. Começa a cogitar fazer intercâmbio fora do país, mostra o desejo de conseguir voltar da escola pra casa sozinho. Na sala de aula, Leo utiliza uma máquina para escrever em braile e às vezes é vítima de "gracinhas" dos colegas, sempre então defendido por Gi. O lugar atrás de Leo está vazio. Os colegas alegam que é muito barulhento sentar atrás dele.
Um dia, no entanto, a cadeira é ocupada por um novo aluno, Gabriel (Fabio Audi). Ele não só parece não se importar com o barulho como ainda, quer fazer os trabalhos e passar tempo com Leo. Eles vão se aproximando e se descobrindo. Gabriel dá alguns "foras" por esquecer que o amigo é cego. O mesmo reage com humor e eles tentam entender a perspectiva do mundo na "visão" do outro.
Gi, que achou Gabriel desde o princípio atraente, sente ciúmes da amizade dos dois e de não ser mais a principal guia do amigo. Leo percebe que está se apaixonando por Gabriel e várias situações se seguem com mistura de sentimentos, dúvidas e emoções.
A produção tem um roteiro leve, "tragicômico" em alguns momentos. "Sai do filme com um sorriso no rosto, adorei", conta um alemão que esteve na estréia mundial na segunda-feira, 10 de fevereiro, no Cinemaxx (Potsdamer Platz). Ele afima ainda ter achado que o ator Ghilerme Lobo era cego de verdade. "A atuação foi excelente, Leo parece ser realmente deficiente físico".
Em várias cenas, a impressão é que os olhos de Leo não são simétricos. Ghilherme Lobo diz que foi intencional tentar "olhar de outra forma" para parecer mais realista. "Todos tivemos de aprender a lidar com os cegos, a guiar e ser guiado como eles", contou Lobo para a platéia após o filme.
O longa mostra ainda o "amor à primeira vista" de outra forma, os conflitos e dificuldades já normais desta fase experenciados com outros sentidos. Outra peculiaridade do filme é ter sido uma "continuação" do curta feito por Daniel Ribeiro em 2010, "Hoje eu nao quero voltar sozinho", que pode ser visto no link a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=1Wav5KjBHbI
"Hoje eu quero voltar sozinho" já recebeu vários prêmios, inclusive na Berlinale, e as indicações continuam. A partir de 10 de abril, estará nas telas das principais capitais brasileiras.
Tuesday, 25 February 2014
Mini Farm in Mitte Berlin!!! :) Mini Fazenda no centro de Berlim!! :)
Diese Stadt ist beeindruckend!! Ich liebe es! :)
Ich wusste es nicht dass man KOSTENLOS einen Mini Farm in Mitte Berlin besuchen kann! :)
Weddinger Kinderfarm e.V: Verschiedenen Tieren und Spielen befinden sich in die Luxemburger Strasse, 25, neben UBahn Leopoldplatz. Viel Spaß!! :)
Berlim é surpreendente, eu amo isso! :) Eu nao sabia que é possível visitar vários animais no centro da cidade, em uma mini fazenda, e ainda, gratuitamente!! :)
Vários bichos e brincadeiras, na rua Luxemburger, 25, perto do metrô Leopoldplatz! :) Diverta-se!! ;)
Sunday, 23 February 2014
Segundo dia "Maratona Berlinale": Kreuzweg, Curtas, Air Force e "Hoje eu quero voltar sozinho"
O primeiro filme do segundo dia da minha Berlinale, a segunda-feira, 09.02, comecou às 9:30 no Friedrichstadt Palast. Ensolarado e com 12 graus já de manhã, foi um dos dias mais quentes da Berlinale. E talvez pelo horário, várias cadeiras vazias, assisti ao filme sem companhia ao lado.
"Kreuzweg" (Stations of the cross), de Dietrich Brüggemann, concorrendo ao Urso de Ouro, ganhou no final o melhor roteiro para os irmãos Drietrich e Anna Brüggemann, e era uma das quatro produções alemãs (com parceria francesa) na disputa.
A atuação de Lea van Acken como a personagem principal Maria, também foi muito elogiada durante o festival. Ela vive a adolescente reprimida pela mãe, que é extremamente católica e segue inclusive o "catolicismo tradicional", no qual tudo pode ser pecado, até música e pensamentos.
Maria se convence que é preciso se sacrificar para ganhar o reino dos céus e acredita que tudo é uma provação. Pior, com o irmão mais novo doente, Maria comeca a doar sua vida em nome do "milagre da salvação" para o pequeno.
O filme segue os 14 caminhos da crucificação e mistura os momentos de Maria nas aulas para a Crisma, com a família quando é sempre criticada pela conservadora e pessimista mãe e na escola, por um lado descobrindo o amor por Christian (Moritz Knapp), por outro sendo colocada de lado e se tornando motivo de risos dos colegas por ficar cada vez mais bitolada. Até a música da aula de Educação Física é citada como "coisa do diabo" pela garota, pico de um dos conflitos com seus colegas.
Se por uma lado a produção de 107 minutos é "pesada" em vários momentos, por outro, arrancou vários risos da platéia em diálogos que soavam absurdos ou engraçados. O fim é trágico e a mensagem, contra o fanatismo, intolerância, radicalismo e fé irracional.
Do Friedrichstadt Palast, segui para o Cinemaxx, onde assisti os curtas e outros dois longas deste dia. Antes dos curtas, às 15:00, garanti os ingressos para a terça-feira.
Bem disputado, com pessoas sentadas inclusive no chão (ao meu lado, por exemplo, dois brasileiros!), o caos no Cinemaxx 1 já comecou na fila, um imenso amontoado. Especialmente a prensença de um público bem jovem chamou a atenção.
Participando da sessão Generation 14 Plus, o primeiro curta foi "Mike" (premiado no final da Berlinale), passado em Londres. O diretor grego Petros Silvestros mostra um adolescente impaciente, Mike (Lucian Charles Collier) que leva o irmão mais novo Jack (Daniel Walsh) para o cabelereiro, sem a mínima vontade.
Ele decide esperar no carro, onde fuma um baseado e tenta se distrair com música. Após algum tempo, resolve checar o motivo da demora do pequeno voltar. Primeiramente, é informado pela recepcionista (Jo Hartland) que nenhuma criança se encontra no salão.
Então, aparece o dono (Stephen Guy Daltry) do mesmo que o tranquiliza e pede para esperar, já que Jack estaria numa sala dos fundos. O dono liga para a mãe (Louise Breckon-Richards) que vem encontrá-los e convence Mike a voltar para o carro.
A última cena dos sete minutos do curta é Mike ao lado de sua mãe, no carro, em frente ao salão e um poste com flores e velas, mostrando a foto do irmão Jack morto.... tudo fica em aberto, um tanto misterioso e sinistro.
---x---
Também de uma diretora grega, Rinio Dragasaki, "Proavlio" (Schoolyard) mostra o dia de dez crianças numa escola, cenas misturam bola de basquete, uma caneta rolando e muito silêncio na sala de aula. Ao sairem da escola, no pátio, os alunos comecam uma "guerra de água" ainda com seus uniformes.
A brincadeira vira uma "guerra de cores", as cores viram sangue, a risada, dor, da diversão, agressão. Em dez minutos, a tentativa de gerar perguntas (qual o limite da brincadeira e da violência? entre outras) e o final com todos deitados, exaustos, no pátio escolar.
---x---
"Vertrarmorgun" (Winter Morning) foi filmado nas Ilhas Faroé, em Skopun, perto da Dinamarca, cidade natal do diretor Sakaris Stórá. Maria (Armagarõ Mortensen) e Birita (Helena Heõinsdóttir) vivem, em 19 minutos, uma noite e manhã típica de adolescentes: drogas, sexo e festa é o tema, principalmente o suposto lebianismo de uma das garotas, que, convencida pela amiga, transa com um rapaz na festa para provar o contrário, mesmo sem ter certeza de suas preferência sexuais.
A influência dos companheiros, o medo do isolamento, a descoberta do próprio ego, os limites da amizade são alguns dos temas explorados no curta.
---x---
"Seagulls", do inglês Martin Smith, mostra em 14 minutos a mudança e adaptação de Ryan (Mikey Hoc) e sua mãe (Kathleen McDermott) em um vialerjo na costa da Escócia. Ryan é esforçado e trabalhador, ajuda a mãe com seu pequeno negócio e ela insiste que ele deve se enturmar.
Ryan tenta e um dia, vai com alguns garotos do vilarejo passear por umas colinas. Um mergulho perigoso dele, que deveria provar sua coragem e obter então, o respeito dos outros, acaba dando errado, principalmente por, após voltar da água, Ryan empurrar um segundo garoto pra testar sua coragem. Em vez da aprovação, Ryan consegue a rejeição total da turma.
---x---
A ideia do japonês Isamu Hirabayashi é excelente: acompanhar os pés de um soldado que caminha sobre restos da guerra. Mas os 14 minutos do curta "Soliton" foram os mais torturosos de toda a Berlinale para mim!
A câmera rápida acompanhando os passos e os diversos ruídos, às vezes extremamente irritantes e altos, me causaram náusea e muita irritação. O soldado passa por cima de várias "paisagens", pedras, água, destroços, areia, colinas, e termina ao lado dos pés de uma criança com seu bichinho de estimação. Ideia boa, filme horrível!
---x---
Sven (Ko Zandvliet) e Gijs (Jonas Smulders) atuam como os melhores amigos nesta produção holandesa de 20 minutos de Mees Peijnenburg, nascido em Amsterdã. Os dois são amigos inseparáveis e fazem tudo juntos: planos para viagens futuras, festas, pensar na vida.... eles são tão íntimos que até enquanto um está fazendo sexo, o outro entra no quarto sem cerimônia.
Tudo vai bem até o dia em que eles se envolvem numa briga e Gijs é atingido na cabeca, entrando em coma. Sven prova sua amizade visitando o amigo diariamente no hospital e não perdendo as esperanças que este se recupere, o que acontece após muitos dias de sofrimento para ambos.
----x---
Tive de sair antes do último curta desde dia para nao perder o clássico "Air Force", no cinemaxx 8.
Filmado nos Estados Unidos em 1943, a obra de Howard Hawks em preto e branco é um longa com 123 minutos no qual mostra os soldados americanos em sua missão de guerra e sua relação com a aeronave, chamada de Mary-Ann. Premiado na época, baseado em fatos concretos como o ataque ao Pearl Harbour, o filme retrata o dia a dia do exército em missões especiais e a crueldade da guerra.
Assisti ao lado de um amigo alemão e quase dormi com alguns momentos de ritmo lento, tendo de lutar contra o sono. Por não ter visto o tempo de duração do filme e ele ainda ter começado com atrasado, perdi o final para poder comer algo antes do último filme do dia, a estréia do brasileiro "Hoje eu quero voltar sozinho" (The way he looks), de Daniel Ribeiro, no Cinemaxx 7, que merece um post a parte por ter sido um filme tão especial.
Platéia de "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho"
Estreando na Berlinale, Daniel Ribeiro e Diana Almeida apresentam o longa antes da exibiçãoo do mesmo
Lição do dia: checar a duração dos filmes antes de pegar os ingressos!
Pausa de filmes mas não da Berlinale: Audi Lounge
Domingo, dia 9, passei na parte da manhã para buscar os ingressos da segunda. Trabalhei nove horas em outro lugar, então não houve tempo para ir ao cinema neste dia.
Mas, por ter chegado cedo na Potsdamer Platz, pude usufruir de uma novidade para os jornalistas: o café da manhã gratuito oferecido pela Audi, no Audi lounge.
Sucos, chá, café, croissants e frutas eram servidos todos os dias na parte da manhã. Nesta Berlinale, Audi construiu uma "casa de vidro" com dois andares, bem em frente ao Berlinale Palast, dando uma visão privilegiada do tapete vermelho.
Além de comes e bebes, alguns brindes e um enorme urso (símbolo da Berlinale), no qual era possível deixar a própria assinatura, no espaço foram ainda promovidos diversos encontros e debates.
O local também era aberto ao público em algumas ocasiões e foi criado também para os fãs da Berlinale poderem se proteger do frio que é normal para esta época do ano.
Mas, por ter chegado cedo na Potsdamer Platz, pude usufruir de uma novidade para os jornalistas: o café da manhã gratuito oferecido pela Audi, no Audi lounge.
Sucos, chá, café, croissants e frutas eram servidos todos os dias na parte da manhã. Nesta Berlinale, Audi construiu uma "casa de vidro" com dois andares, bem em frente ao Berlinale Palast, dando uma visão privilegiada do tapete vermelho.
Além de comes e bebes, alguns brindes e um enorme urso (símbolo da Berlinale), no qual era possível deixar a própria assinatura, no espaço foram ainda promovidos diversos encontros e debates.
O local também era aberto ao público em algumas ocasiões e foi criado também para os fãs da Berlinale poderem se proteger do frio que é normal para esta época do ano.
Friday, 21 February 2014
Primeiro dia da „Maratona Berlinale“: 71, O Homem das Multidões, Jack, Hütter Meines Bruders
Oficialmente a minha Berlinale começou no sábado, dia 07. O primeiro filme, às 9:30 da manhã, no Zoo Palast, próximo a Zoologischer Garten, num dia ensolarado.
Ao meu lado, um simpático e atraente estudante de história. Cinema lotado para assistir a produção irlandesa de Yann Demange, ´71, um dos 20 filmes que concorreu ao Urso de Ouro.
Em cem minutos, o longa retrata os conflitos no norte da Irlanda na década de 70. O recruta Gary Hook (Jack O´Connell) é escalado para atuar numa área de conflito em Belfast. A cidade está dividida entre Protestantes e Católicos, que vivem uma guerra civil. Ambos possuem apoio do exército e defendem cegamente suas convicções.
Em uma das atuações dos soldados na região de conflito, Garry se perde junto com um colega ao perseguir um garoto que rouba uma das armas. O colega é morto e Garry fica sozinho na terra do inimigo, passando por diversas situações, medo, dor, violência, solidariedade, compaixão e traição, tentando se esconder e achar o caminho para o quartel.
Forte, com muitas cenas de violência e sangue, o filme baseado em fatos reais, mostra o quão cruel, perigoso e sem sentido uma guerra de ideologias pode ser. E como o ser humano pode ser manipulador, mesquinho, mentiroso, mau..... por outro lado, Garry mostra várias qualidades como pessoa, inclusive sua lealdade ao filho pequeno e colegas. Não é o meu estilo preferido mas com certeza, um bom filme.
O diretor Yann Demange nasceu em Paris em 1977 e foi criado em Londres.
Após uma pausa para o almoço rápido, em casa, às 14:30 a estréia do primeiro filme brasileiro neste festival: “O Homem das Multidões”, no cinema International, próximo a Alexanderplatz, uma sala linda com cortina prateada!
Sentei ao lado de um grande amigo que encontrei coincidentemente por lá. Assistimos ao filme com a presença da equipe e dos diretores de Recife na sala, Marcelo Gomes e Cao Guimarães. Filmado em Belo Horizonte em 2013, mostrou em 95 minutos a solidão nas grandes cidades.
Centrada praticamente em dois personagens, é a história de Juvenal (Paulo André) e Margô (Silvia Lourenço), que trabalham juntos para a estação ferroviária. Juvenal mora sozinho, possui apenas um único copo para tomar água, uma única cadeira para a mesa da cozinha, geladeira vazia, contendo apenas algo para beber e enlatados, e um fogão cheio de tranqueiras em cima, no qual é impossível cozinhar.
Apesar de estar sempre entre as pessoas, Juvenal se fecha na sua realidade e não busca contato. Introvertido, parece conformado com sua solidão e estilo de vida. Seu contato com as pessoas limita-se aos diálogos básicos.
Margô vive com seu pai, idoso e de poucas palavras. Vive no computador, onde busca o contato virtual, mas no dia a dia também se isola. Sem opções, acaba convidando Juvenal para ser seu padrinho de casamento com um rapaz que também conheceu pela internet.
Juvenal recusa a princípio, mas acaba cedendo e os dois tentam então, criar vínculos. Poético, a produção é um show de imagens e cenas, resultado também da mistura das qualidades artísticas de Cao Guimaraes e de direção de Marcelo Gomes. As cenas, num formato quadrado, combinam com a moderna tecnologia digital e traz um resultado diferenciado.
Com mensagens profundas, o filme tem, no entanto, um ritmo lento (duas pessoas na minha fileira dormiram! L ). Particularmente gostaria que tivessem explorado mais os motivos que levam ao isolamento, entretanto, de forma geral, gostei bastante do resultado.
O filme participou da Berlinale na sessão “Panorama”. Marcelo Gomes trabalhou também com o diretor Karim Ainouz (Praia do Futuro) no filme “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, que estreou em 2009 em Veneza.
Da Alexanderplatz, segui para a Friedrichstrasse, onde, às 18:00, assisti à outra produção concorrendo ao Urso de Ouro: “Jack”, no Friedrichstadt Palast. O diretor de Wolfsburg, Edward Berger, filmou a história de 103 minutos em Berlim, recheando a tela com belas paisagens da cidade.
É praticamente impossível não se envolver com Jack desde o início do drama. Um dos melhores atores, principalmente se consideramos a idade, o garoto Ivo Pietzcker rouba a cena com sua atuação. Na pele de “Jack”, de 10 anos, ele mostra a vida de um criança que é obrigada a virar adulto antes do tempo. Não só cuida de si mesmo, se vestindo, preparando seu próprio café da manhã e indo para a escola como ainda, cuida do irmão mais novo, Manuel (Georg Arms).
A mãe, sozinha para criar as duas crianças de diferentes pais, quando está presente, é carinhosa, mas parece mais preocupada em encontrar um novo parceiro do que cuidar dos filhos. O roteiro não cai no clichê de drogas ou outros problemas psicológicos, mostra uma mãe jovem, imatura, que parece não perceber o mal que causa aos filhos com sua ausência.
Após um acidente com Manuel, que queima as pernas na banheira por a água estar muito quente, Jack é enviado a um orfanato e começa a viver um lado ainda mais duro da vida. Tudo piora, no entanto, quando ele tem a permissão pra visitar a mãe e o irmão, mas esta o deixa esperando e não vai busca-lo no dia combinado.
Revoltado, Jack foge do orfanato e encontra a porta de sua casa fechada. Busca seu irmão na casa de uma amiga da mãe e eles passam dias perambulando por Berlim já que a mesma resolveu viajar com um novo namorado e nem sequer avisou ou se preocupou com os filhos.
O filme é uma lição de abandono, emoções, coragem, responsabilidade e amor. E as crianças, um show de talento. Adorei.
Da Friedrichstrasse pra Potsdamer Platz. No Cinemaxx 1, às 20:30, na sessão „Perspektive deutsches Kino“, o último longa do dia. “Hüter meines Bruders” (My brother´s keeper), de Maximilian Leo, nascido em Colônia, mostra em 88 minutos a vida de dois irmãos, Gregor (Sebastian Zimmler) e Pietschi (Robert Finster).
Os dois tem estilo de vida completamente diferente, apesar de apenas dois anos de idade entre eles. Gregor, 32, é médico, casado, sério e “certinho”. Pietschi, 30, vive sem compromissos, fuma, curte a noite e as mulheres, é artista, criativo e aventureiro.
Mesmo sem quase se encontrarem, uma vez por ano os dois fazem, tradicionalmente, férias juntos pra velejar. Durante estas férias, Pietschi some e nunca mais dá notícias.
Gregor começa a procurar desesperado pelo irmão e percebe o quão pouco conhece do mesmo. Consegue entrar no seu apartamento e praticamente assume a personalidade de Pietschi, namorando inclusive a garota pela qual ele era apaixonado, Jule (Nadja Bobyleva).
Se Pietschi morreu, fugiu, se perdeu, o filme não deixa claro. De acordo com o diretor, que também estava presente na sala, foi feito assim propositalmente, para que cada espectador possa imaginar a continuação da história como quiser. Interessante roteiro.
Voltei para casa acabada de cansaço e com a primeira lição da Berlinale: tentar assistir aos filmes no mesmo cinema para evitar o vai e vem por toda Berlim!!
Ao meu lado, um simpático e atraente estudante de história. Cinema lotado para assistir a produção irlandesa de Yann Demange, ´71, um dos 20 filmes que concorreu ao Urso de Ouro.
Em cem minutos, o longa retrata os conflitos no norte da Irlanda na década de 70. O recruta Gary Hook (Jack O´Connell) é escalado para atuar numa área de conflito em Belfast. A cidade está dividida entre Protestantes e Católicos, que vivem uma guerra civil. Ambos possuem apoio do exército e defendem cegamente suas convicções.
Em uma das atuações dos soldados na região de conflito, Garry se perde junto com um colega ao perseguir um garoto que rouba uma das armas. O colega é morto e Garry fica sozinho na terra do inimigo, passando por diversas situações, medo, dor, violência, solidariedade, compaixão e traição, tentando se esconder e achar o caminho para o quartel.
Forte, com muitas cenas de violência e sangue, o filme baseado em fatos reais, mostra o quão cruel, perigoso e sem sentido uma guerra de ideologias pode ser. E como o ser humano pode ser manipulador, mesquinho, mentiroso, mau..... por outro lado, Garry mostra várias qualidades como pessoa, inclusive sua lealdade ao filho pequeno e colegas. Não é o meu estilo preferido mas com certeza, um bom filme.
O diretor Yann Demange nasceu em Paris em 1977 e foi criado em Londres.
Após uma pausa para o almoço rápido, em casa, às 14:30 a estréia do primeiro filme brasileiro neste festival: “O Homem das Multidões”, no cinema International, próximo a Alexanderplatz, uma sala linda com cortina prateada!
Sentei ao lado de um grande amigo que encontrei coincidentemente por lá. Assistimos ao filme com a presença da equipe e dos diretores de Recife na sala, Marcelo Gomes e Cao Guimarães. Filmado em Belo Horizonte em 2013, mostrou em 95 minutos a solidão nas grandes cidades.
Centrada praticamente em dois personagens, é a história de Juvenal (Paulo André) e Margô (Silvia Lourenço), que trabalham juntos para a estação ferroviária. Juvenal mora sozinho, possui apenas um único copo para tomar água, uma única cadeira para a mesa da cozinha, geladeira vazia, contendo apenas algo para beber e enlatados, e um fogão cheio de tranqueiras em cima, no qual é impossível cozinhar.
Apesar de estar sempre entre as pessoas, Juvenal se fecha na sua realidade e não busca contato. Introvertido, parece conformado com sua solidão e estilo de vida. Seu contato com as pessoas limita-se aos diálogos básicos.
Margô vive com seu pai, idoso e de poucas palavras. Vive no computador, onde busca o contato virtual, mas no dia a dia também se isola. Sem opções, acaba convidando Juvenal para ser seu padrinho de casamento com um rapaz que também conheceu pela internet.
Juvenal recusa a princípio, mas acaba cedendo e os dois tentam então, criar vínculos. Poético, a produção é um show de imagens e cenas, resultado também da mistura das qualidades artísticas de Cao Guimaraes e de direção de Marcelo Gomes. As cenas, num formato quadrado, combinam com a moderna tecnologia digital e traz um resultado diferenciado.
Com mensagens profundas, o filme tem, no entanto, um ritmo lento (duas pessoas na minha fileira dormiram! L ). Particularmente gostaria que tivessem explorado mais os motivos que levam ao isolamento, entretanto, de forma geral, gostei bastante do resultado.
O filme participou da Berlinale na sessão “Panorama”. Marcelo Gomes trabalhou também com o diretor Karim Ainouz (Praia do Futuro) no filme “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, que estreou em 2009 em Veneza.
Da Alexanderplatz, segui para a Friedrichstrasse, onde, às 18:00, assisti à outra produção concorrendo ao Urso de Ouro: “Jack”, no Friedrichstadt Palast. O diretor de Wolfsburg, Edward Berger, filmou a história de 103 minutos em Berlim, recheando a tela com belas paisagens da cidade.
É praticamente impossível não se envolver com Jack desde o início do drama. Um dos melhores atores, principalmente se consideramos a idade, o garoto Ivo Pietzcker rouba a cena com sua atuação. Na pele de “Jack”, de 10 anos, ele mostra a vida de um criança que é obrigada a virar adulto antes do tempo. Não só cuida de si mesmo, se vestindo, preparando seu próprio café da manhã e indo para a escola como ainda, cuida do irmão mais novo, Manuel (Georg Arms).
A mãe, sozinha para criar as duas crianças de diferentes pais, quando está presente, é carinhosa, mas parece mais preocupada em encontrar um novo parceiro do que cuidar dos filhos. O roteiro não cai no clichê de drogas ou outros problemas psicológicos, mostra uma mãe jovem, imatura, que parece não perceber o mal que causa aos filhos com sua ausência.
Após um acidente com Manuel, que queima as pernas na banheira por a água estar muito quente, Jack é enviado a um orfanato e começa a viver um lado ainda mais duro da vida. Tudo piora, no entanto, quando ele tem a permissão pra visitar a mãe e o irmão, mas esta o deixa esperando e não vai busca-lo no dia combinado.
Revoltado, Jack foge do orfanato e encontra a porta de sua casa fechada. Busca seu irmão na casa de uma amiga da mãe e eles passam dias perambulando por Berlim já que a mesma resolveu viajar com um novo namorado e nem sequer avisou ou se preocupou com os filhos.
O filme é uma lição de abandono, emoções, coragem, responsabilidade e amor. E as crianças, um show de talento. Adorei.
Da Friedrichstrasse pra Potsdamer Platz. No Cinemaxx 1, às 20:30, na sessão „Perspektive deutsches Kino“, o último longa do dia. “Hüter meines Bruders” (My brother´s keeper), de Maximilian Leo, nascido em Colônia, mostra em 88 minutos a vida de dois irmãos, Gregor (Sebastian Zimmler) e Pietschi (Robert Finster).
Os dois tem estilo de vida completamente diferente, apesar de apenas dois anos de idade entre eles. Gregor, 32, é médico, casado, sério e “certinho”. Pietschi, 30, vive sem compromissos, fuma, curte a noite e as mulheres, é artista, criativo e aventureiro.
Mesmo sem quase se encontrarem, uma vez por ano os dois fazem, tradicionalmente, férias juntos pra velejar. Durante estas férias, Pietschi some e nunca mais dá notícias.
Gregor começa a procurar desesperado pelo irmão e percebe o quão pouco conhece do mesmo. Consegue entrar no seu apartamento e praticamente assume a personalidade de Pietschi, namorando inclusive a garota pela qual ele era apaixonado, Jule (Nadja Bobyleva).
Se Pietschi morreu, fugiu, se perdeu, o filme não deixa claro. De acordo com o diretor, que também estava presente na sala, foi feito assim propositalmente, para que cada espectador possa imaginar a continuação da história como quiser. Interessante roteiro.
Voltei para casa acabada de cansaço e com a primeira lição da Berlinale: tentar assistir aos filmes no mesmo cinema para evitar o vai e vem por toda Berlim!!
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