Sunday, 23 February 2014
Segundo dia "Maratona Berlinale": Kreuzweg, Curtas, Air Force e "Hoje eu quero voltar sozinho"
O primeiro filme do segundo dia da minha Berlinale, a segunda-feira, 09.02, comecou às 9:30 no Friedrichstadt Palast. Ensolarado e com 12 graus já de manhã, foi um dos dias mais quentes da Berlinale. E talvez pelo horário, várias cadeiras vazias, assisti ao filme sem companhia ao lado.
"Kreuzweg" (Stations of the cross), de Dietrich Brüggemann, concorrendo ao Urso de Ouro, ganhou no final o melhor roteiro para os irmãos Drietrich e Anna Brüggemann, e era uma das quatro produções alemãs (com parceria francesa) na disputa.
A atuação de Lea van Acken como a personagem principal Maria, também foi muito elogiada durante o festival. Ela vive a adolescente reprimida pela mãe, que é extremamente católica e segue inclusive o "catolicismo tradicional", no qual tudo pode ser pecado, até música e pensamentos.
Maria se convence que é preciso se sacrificar para ganhar o reino dos céus e acredita que tudo é uma provação. Pior, com o irmão mais novo doente, Maria comeca a doar sua vida em nome do "milagre da salvação" para o pequeno.
O filme segue os 14 caminhos da crucificação e mistura os momentos de Maria nas aulas para a Crisma, com a família quando é sempre criticada pela conservadora e pessimista mãe e na escola, por um lado descobrindo o amor por Christian (Moritz Knapp), por outro sendo colocada de lado e se tornando motivo de risos dos colegas por ficar cada vez mais bitolada. Até a música da aula de Educação Física é citada como "coisa do diabo" pela garota, pico de um dos conflitos com seus colegas.
Se por uma lado a produção de 107 minutos é "pesada" em vários momentos, por outro, arrancou vários risos da platéia em diálogos que soavam absurdos ou engraçados. O fim é trágico e a mensagem, contra o fanatismo, intolerância, radicalismo e fé irracional.
Do Friedrichstadt Palast, segui para o Cinemaxx, onde assisti os curtas e outros dois longas deste dia. Antes dos curtas, às 15:00, garanti os ingressos para a terça-feira.
Bem disputado, com pessoas sentadas inclusive no chão (ao meu lado, por exemplo, dois brasileiros!), o caos no Cinemaxx 1 já comecou na fila, um imenso amontoado. Especialmente a prensença de um público bem jovem chamou a atenção.
Participando da sessão Generation 14 Plus, o primeiro curta foi "Mike" (premiado no final da Berlinale), passado em Londres. O diretor grego Petros Silvestros mostra um adolescente impaciente, Mike (Lucian Charles Collier) que leva o irmão mais novo Jack (Daniel Walsh) para o cabelereiro, sem a mínima vontade.
Ele decide esperar no carro, onde fuma um baseado e tenta se distrair com música. Após algum tempo, resolve checar o motivo da demora do pequeno voltar. Primeiramente, é informado pela recepcionista (Jo Hartland) que nenhuma criança se encontra no salão.
Então, aparece o dono (Stephen Guy Daltry) do mesmo que o tranquiliza e pede para esperar, já que Jack estaria numa sala dos fundos. O dono liga para a mãe (Louise Breckon-Richards) que vem encontrá-los e convence Mike a voltar para o carro.
A última cena dos sete minutos do curta é Mike ao lado de sua mãe, no carro, em frente ao salão e um poste com flores e velas, mostrando a foto do irmão Jack morto.... tudo fica em aberto, um tanto misterioso e sinistro.
---x---
Também de uma diretora grega, Rinio Dragasaki, "Proavlio" (Schoolyard) mostra o dia de dez crianças numa escola, cenas misturam bola de basquete, uma caneta rolando e muito silêncio na sala de aula. Ao sairem da escola, no pátio, os alunos comecam uma "guerra de água" ainda com seus uniformes.
A brincadeira vira uma "guerra de cores", as cores viram sangue, a risada, dor, da diversão, agressão. Em dez minutos, a tentativa de gerar perguntas (qual o limite da brincadeira e da violência? entre outras) e o final com todos deitados, exaustos, no pátio escolar.
---x---
"Vertrarmorgun" (Winter Morning) foi filmado nas Ilhas Faroé, em Skopun, perto da Dinamarca, cidade natal do diretor Sakaris Stórá. Maria (Armagarõ Mortensen) e Birita (Helena Heõinsdóttir) vivem, em 19 minutos, uma noite e manhã típica de adolescentes: drogas, sexo e festa é o tema, principalmente o suposto lebianismo de uma das garotas, que, convencida pela amiga, transa com um rapaz na festa para provar o contrário, mesmo sem ter certeza de suas preferência sexuais.
A influência dos companheiros, o medo do isolamento, a descoberta do próprio ego, os limites da amizade são alguns dos temas explorados no curta.
---x---
"Seagulls", do inglês Martin Smith, mostra em 14 minutos a mudança e adaptação de Ryan (Mikey Hoc) e sua mãe (Kathleen McDermott) em um vialerjo na costa da Escócia. Ryan é esforçado e trabalhador, ajuda a mãe com seu pequeno negócio e ela insiste que ele deve se enturmar.
Ryan tenta e um dia, vai com alguns garotos do vilarejo passear por umas colinas. Um mergulho perigoso dele, que deveria provar sua coragem e obter então, o respeito dos outros, acaba dando errado, principalmente por, após voltar da água, Ryan empurrar um segundo garoto pra testar sua coragem. Em vez da aprovação, Ryan consegue a rejeição total da turma.
---x---
A ideia do japonês Isamu Hirabayashi é excelente: acompanhar os pés de um soldado que caminha sobre restos da guerra. Mas os 14 minutos do curta "Soliton" foram os mais torturosos de toda a Berlinale para mim!
A câmera rápida acompanhando os passos e os diversos ruídos, às vezes extremamente irritantes e altos, me causaram náusea e muita irritação. O soldado passa por cima de várias "paisagens", pedras, água, destroços, areia, colinas, e termina ao lado dos pés de uma criança com seu bichinho de estimação. Ideia boa, filme horrível!
---x---
Sven (Ko Zandvliet) e Gijs (Jonas Smulders) atuam como os melhores amigos nesta produção holandesa de 20 minutos de Mees Peijnenburg, nascido em Amsterdã. Os dois são amigos inseparáveis e fazem tudo juntos: planos para viagens futuras, festas, pensar na vida.... eles são tão íntimos que até enquanto um está fazendo sexo, o outro entra no quarto sem cerimônia.
Tudo vai bem até o dia em que eles se envolvem numa briga e Gijs é atingido na cabeca, entrando em coma. Sven prova sua amizade visitando o amigo diariamente no hospital e não perdendo as esperanças que este se recupere, o que acontece após muitos dias de sofrimento para ambos.
----x---
Tive de sair antes do último curta desde dia para nao perder o clássico "Air Force", no cinemaxx 8.
Filmado nos Estados Unidos em 1943, a obra de Howard Hawks em preto e branco é um longa com 123 minutos no qual mostra os soldados americanos em sua missão de guerra e sua relação com a aeronave, chamada de Mary-Ann. Premiado na época, baseado em fatos concretos como o ataque ao Pearl Harbour, o filme retrata o dia a dia do exército em missões especiais e a crueldade da guerra.
Assisti ao lado de um amigo alemão e quase dormi com alguns momentos de ritmo lento, tendo de lutar contra o sono. Por não ter visto o tempo de duração do filme e ele ainda ter começado com atrasado, perdi o final para poder comer algo antes do último filme do dia, a estréia do brasileiro "Hoje eu quero voltar sozinho" (The way he looks), de Daniel Ribeiro, no Cinemaxx 7, que merece um post a parte por ter sido um filme tão especial.
Platéia de "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho"
Estreando na Berlinale, Daniel Ribeiro e Diana Almeida apresentam o longa antes da exibiçãoo do mesmo
Lição do dia: checar a duração dos filmes antes de pegar os ingressos!
Subscribe to:
Post Comments (Atom)






No comments:
Post a Comment