Apesar de escrever há anos sobre a Berlinale e ser a segunda vez que participei credenciada como jornalista, este ano, nesta 64° edição do Festival que ocorreu de 06 a 16 de fevereiro, modifiquei minha rotina para poder me dedicar à cobertura.
E confesso que subestimei! Só de tempo de filme, foram 1831 minutos, mais de 30 horas em nove dias. Soma-se o tempo de participar de outros eventos (coletiva de imprensa no fim de janeiro, coletiva com os brasileiros, entrevistas e debates, festas...), buscar diariamente os ingressos, de locomoção entre um cinema e outro, chega-se a uma jornada de trabalho muito superior às "normais" quarenta horas na semana.
Não é a toa que chamo o festival de maratona. E no fim, a sensação de cansaço de ter corrido vários quilômetros. Os "efeitos psicológicos" também são igualmente interessantes de observar.
No meio da correria, teve momentos em que me sentia feliz de não estar numa sala de cinema. Já quando o fim se aproxima, um lado tende a se alegrar com o merecido descanso, o outro lamenta não ter conseguido ver tudo o que gostaria de ter visto, e já se alegra com a próxima edição. E ainda, os sonhos, que após tantos filmes, misturam roteiros e atores na cabeça, enquanto o corpo descansa.
Pequenos detalhes começam a ganhar grande importância: quem sentará ao meu lado neste filme? Quão confortáveis serão as cadeiras? Poderei consumir alguma coisa (bebida e comida)? O filme será bom?
Também se aprende a fazer uma logística funcional. Levar lanches e chá pra não gastar tanto, pegar os filmes no mesmo cinema pra não perder tempo e se estressar correndo por Berlim, pendurar a jaqueta na própria cadeira para evitar as filas do "Garderobe", local onde pode se deixar os pertences, programar o primeiro filme na Potsdamer Platz, onde se busca os ingressos, um dia antes de cada sessão, etc.
Este ano teve ainda a cooperação do tempo. Se no fim de janeiro, quando teve a coletiva de imprensa, ainda havia neve e menos 13 graus de temperatura, os dias do festival foram na maioria ensolarados e agradáveis, chegando até aos doze graus e em nenhum deles, com temperatura abaixo de zero. Ou seja, foi a Berlinale "mais quente" que já se teve.
Quanto as casas de espetáculos, suas cadeiras e arquitetura, assisti filmes em diferentes cinemas: Berlinale Palast, Friedrichstadtpalast, International, Zoo Palast, Cinemaxx, Cubix.
Assento duro e apertado, com pouco espaço tanto para braços, quanto para as pernas e na minha opinião, o pior de todos, é o Friedrichstadtpalast. O local é lindo mas em termos de conforto deixa muito a desejar.
Extremo contrário é o Zoo Palast. Após anos sem participar do festival e ter sido reformado, retornou este ano com todo estilo: tem cadeiras grandes, móveis e super confortáveis, espaço mais do que suficiente e as salas ficaram lindas.
A única casa que proibiu o consumo inclusive de água foi a Berlinale Palast, justamente onde é o tapete vermelho.... Sinceramente, foram os dois filmes em que mais tossi, já que sempre levava chá e água caso a garganta começasse a coçar. Nestes dias, nem uma pastilha atrás da outra deram conta de segurar pequenos desagradáveis ataques de tosse.
Aliás, a tosse é um "tema" na Berlinale. Em um dos filmes, um pouco antes do início, um ataque generalizado no cinema gerou risadas nervosas logo em seguida. Sim, o quanto mais se puder evitar tossir, melhor. Percebe-se que é uma "regra de etiqueta" não oficial. Com várias pessoas troquei ideia sobre isso e como fazer pra segurar ou evitar as tosses.
Claro que se elas vêm e são inevitáveis, a pessoa o faz o mais discretamente possível e sempre terá um olhar meio de compaixão com reprovação... Particularmente, perdi o primeiro dia dos filmes, a sexta dia 7 por estar meio resfriada e tossindo demais. Quis evitar ser expulsa de um cinema logo no primeiro dia!! ;) Exagero a parte, sim, realmente preferi evitar do que atrapalhar os outros...
Quanto aos meus "companheiros" de filme, vivi de tudo: uma senhora antipática com um terrível perfume, um homem peludo que encostava braço e perna constatemente e me incomodou o filme todo, um senhor que chutava a minha cadeira a cada dez minutos até eu reclamar, cadeiras vazias, pessoas super interessantes como um estudante de história (inclusive muito atraente) na minha estréia, com o qual bati um longo papo ou um homem de Dusseldorf que tirou férias para acompanhar a Berlinale com a esposa e inclusive, os atores e diretores do "Hoje eu quero voltar sozinho" que assistiram então a estréia do filme "Praia do Futuro" ao meu lado.
Quanto à qualidade dos filmes, ou eu dei muita sorte, ou a qualidade do Festival estava realmente alta. De todos, só um me incomodou muito, o curta japonesa Soliton. E no clássico americano Air Force tive de lutar contra o sono.
A Berlinale acabou mas os filmes começarão agora a poderem serem vistos no cinema. Por isso, ao longo dos próximos dias, quem quiser poderá acompanhar aqui as minhas impressões sobre os longas e curtas que consegui assistir.
E já fica a expectativa da próxima edição de 2015...
E confesso que subestimei! Só de tempo de filme, foram 1831 minutos, mais de 30 horas em nove dias. Soma-se o tempo de participar de outros eventos (coletiva de imprensa no fim de janeiro, coletiva com os brasileiros, entrevistas e debates, festas...), buscar diariamente os ingressos, de locomoção entre um cinema e outro, chega-se a uma jornada de trabalho muito superior às "normais" quarenta horas na semana.
Não é a toa que chamo o festival de maratona. E no fim, a sensação de cansaço de ter corrido vários quilômetros. Os "efeitos psicológicos" também são igualmente interessantes de observar.
No meio da correria, teve momentos em que me sentia feliz de não estar numa sala de cinema. Já quando o fim se aproxima, um lado tende a se alegrar com o merecido descanso, o outro lamenta não ter conseguido ver tudo o que gostaria de ter visto, e já se alegra com a próxima edição. E ainda, os sonhos, que após tantos filmes, misturam roteiros e atores na cabeça, enquanto o corpo descansa.
Pequenos detalhes começam a ganhar grande importância: quem sentará ao meu lado neste filme? Quão confortáveis serão as cadeiras? Poderei consumir alguma coisa (bebida e comida)? O filme será bom?
Também se aprende a fazer uma logística funcional. Levar lanches e chá pra não gastar tanto, pegar os filmes no mesmo cinema pra não perder tempo e se estressar correndo por Berlim, pendurar a jaqueta na própria cadeira para evitar as filas do "Garderobe", local onde pode se deixar os pertences, programar o primeiro filme na Potsdamer Platz, onde se busca os ingressos, um dia antes de cada sessão, etc.
Este ano teve ainda a cooperação do tempo. Se no fim de janeiro, quando teve a coletiva de imprensa, ainda havia neve e menos 13 graus de temperatura, os dias do festival foram na maioria ensolarados e agradáveis, chegando até aos doze graus e em nenhum deles, com temperatura abaixo de zero. Ou seja, foi a Berlinale "mais quente" que já se teve.
Quanto as casas de espetáculos, suas cadeiras e arquitetura, assisti filmes em diferentes cinemas: Berlinale Palast, Friedrichstadtpalast, International, Zoo Palast, Cinemaxx, Cubix.
Assento duro e apertado, com pouco espaço tanto para braços, quanto para as pernas e na minha opinião, o pior de todos, é o Friedrichstadtpalast. O local é lindo mas em termos de conforto deixa muito a desejar.
Extremo contrário é o Zoo Palast. Após anos sem participar do festival e ter sido reformado, retornou este ano com todo estilo: tem cadeiras grandes, móveis e super confortáveis, espaço mais do que suficiente e as salas ficaram lindas.
A única casa que proibiu o consumo inclusive de água foi a Berlinale Palast, justamente onde é o tapete vermelho.... Sinceramente, foram os dois filmes em que mais tossi, já que sempre levava chá e água caso a garganta começasse a coçar. Nestes dias, nem uma pastilha atrás da outra deram conta de segurar pequenos desagradáveis ataques de tosse.
Aliás, a tosse é um "tema" na Berlinale. Em um dos filmes, um pouco antes do início, um ataque generalizado no cinema gerou risadas nervosas logo em seguida. Sim, o quanto mais se puder evitar tossir, melhor. Percebe-se que é uma "regra de etiqueta" não oficial. Com várias pessoas troquei ideia sobre isso e como fazer pra segurar ou evitar as tosses.
Claro que se elas vêm e são inevitáveis, a pessoa o faz o mais discretamente possível e sempre terá um olhar meio de compaixão com reprovação... Particularmente, perdi o primeiro dia dos filmes, a sexta dia 7 por estar meio resfriada e tossindo demais. Quis evitar ser expulsa de um cinema logo no primeiro dia!! ;) Exagero a parte, sim, realmente preferi evitar do que atrapalhar os outros...
Quanto aos meus "companheiros" de filme, vivi de tudo: uma senhora antipática com um terrível perfume, um homem peludo que encostava braço e perna constatemente e me incomodou o filme todo, um senhor que chutava a minha cadeira a cada dez minutos até eu reclamar, cadeiras vazias, pessoas super interessantes como um estudante de história (inclusive muito atraente) na minha estréia, com o qual bati um longo papo ou um homem de Dusseldorf que tirou férias para acompanhar a Berlinale com a esposa e inclusive, os atores e diretores do "Hoje eu quero voltar sozinho" que assistiram então a estréia do filme "Praia do Futuro" ao meu lado.
Quanto à qualidade dos filmes, ou eu dei muita sorte, ou a qualidade do Festival estava realmente alta. De todos, só um me incomodou muito, o curta japonesa Soliton. E no clássico americano Air Force tive de lutar contra o sono.
A Berlinale acabou mas os filmes começarão agora a poderem serem vistos no cinema. Por isso, ao longo dos próximos dias, quem quiser poderá acompanhar aqui as minhas impressões sobre os longas e curtas que consegui assistir.
E já fica a expectativa da próxima edição de 2015...
Estou tentando corrigir os brancos que marcam a acentuacao... :/ :)
ReplyDeleteSandra, tenta assim.. copia o texto, cola no Bloco de Notas do Windows. Depois copia de novo do bloco de notas e cola no seu site. O "branco" da acentuação deve sumir.
ReplyDeleteObrigada pela dica mas também nao funcionou... :( continuarei tentando... ;) :)
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